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Se não quer que a Alexa e a Siri ouçam a sua vida privada, basta usar um “bracelete do silêncio”

Bracelete do silêncio: acessório inibe gravações sonoras com 24 alto-falantes

Já imaginou bloquear qualquer gravação de sonora com um superbracelete tão poderoso quanto o da Mulher-Maravilha? Em tempos de Internet das Coisas (IoT), uma tecnologia como essa poder ser considerada, sim, um superpoder. Além dos aficionados por teorias da conspiração, muita gente desconfia dos inúmeros aparelhos inteligentes e de possíveis falhas de controle e privacidade.

As câmeras de segurança da Amazon e do Google, que já venderam milhões de unidades em todo o mundo, ou ainda os alto-falantes inteligentes podem representar um grande risco à segurança e privacidade tanto no caso do possível monitoramento das empresas de tecnologia quanto no caso de hackers. Em números, é um risco grande, afinal 24% dos adultos norte-americanos têm um alto-falante inteligente em suas casas, segundo a National Public Media.

E para os que acreditam que esses aparelhos estão de "ouvidos" bem abertos, gravando conversas particulares, pesquisadores começam a desenvolver acessórios para preservar a privacidade de suas interações. Uma equipe de professores de ciência da computação da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, inventou um bracelete que se conecta a todos os microfones próximos, incluindo os de alto-falantes e assistentes inteligentes, como a Alexa e a Siri, para impedir qualquer captura sonora.

Bracelete do silêncio

Apelidado como o bracelete do silêncio, o wearable possui 24 alto-falantes capazes de emitir sinais ultrassônicos imperceptíveis ao ouvido humano. No entanto, qualquer microfone próximo detecta essas altas frequências como um ruído estático, que abafam qualquer fala que o usuário gostaria de manter em sigilo. Com uma estética cyberpunk e seus microfones aplicados em formato de espinhos, o bracelete combate tecnologias invasivas e de quebra de privacidade.

"É tão fácil gravar hoje em dia", explica Pedro Lopes, professor assistente da Universidade de Chicago, que trabalhou no projeto. “Essa é uma defesa útil. Quando você tem algo particular a dizer, pode ativá-lo em tempo real. Quando eles reproduzirem a gravação, o som desaparecerá”, comenta o professor sobre as possíveis aplicações do wearable.

Luta pela privacidade

Vale lembra que a conversa de que nada o que você fala é ilegal, por isso não se incomoda com que o monitorem não é um argumento. A privacidade é um direito e, em tese, acessórios como esse não deveriam nem existir. Isso está escrito no artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (Universal Declaration of Human Rights): "o direito à privacidade nos dá a capacidade de escolher quais partes neste domínio podem ser acessadas por outras pessoas, e para controlar a extensão, formato e o momento do uso dessas informações que escolhemos para divulgar."

"O futuro é ter todos esses dispositivos [como alto-falantes inteligentes e câmeras de segurança] ao seu redor, mas você terá de assumir que eles estão potencialmente comprometidos", explica Ben Zhao, professor de ciência da computação da Universidade de Chicago que também trabalhou no projeto. "Seu círculo de confiança terá de ser muito menor, às vezes até o seu corpo real", complementa Zhao sobre a possibilidade dessas tecnologias - que podem promover monitoramento - estejam implantadas no corpo do usuário.

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